natalia mallo


Leave a comment

Black Grace | Sanitise – Edinburgh Fringe

_2014BLACKGR_9D

Black Grace

A companhia neozelandesa apresentou trechos de suas criações recentes e não tanto. Abriram cada número com uma fala do diretor, que deixou claro o caráter autobiográfico das coreografias e temas. Por ser uma colagem separada por falas, pareceu mais uma amostragem do que um espetáculo, mas o carisma dos bailarinos e os números de impacto conquistaram a platéia logo de cara que aplaudiu em cena aberta todos os números. A dança bastante ancorada na percussão corporal, no virtuosismo acrobático e rigor técnico e nos inúmeros uníssonos poderia ser de um formalismo enfadonho se não fosse executada com tamanha alegria. Muitas referências aos rituais e folclore deixam uma impressão de estar se vendo um produto ‘for export’, mas é exatamente isso que os neozelandeses (e todo o resto) estão buscando no Fringe, plataforma para exportar seus artistas para o mundo. Portanto isso não me parece criticável neste contexto. Mas fica a vontade de ver um espetáculo inteiro, sobretudo o citado com um ato de coreografias inspiradas na linguagem corporal do flerte.

Obs: Tive que sair 5 minutos antes do fim, durante um lindo solo, devido a uma emergência (nunca tome um pint de stout logo antes de ver um espetáculo longo). Em busca do banheiro, invadi sem querer o backstage, onde vi os bailarinos que não estavam em cena aquecendo a próxima coreografia. Ninguém estranhou minha presença, e fiquei parada ali assistindo com deleite o aquecimento, onde pude ver um estado de descompromisso não-cênico nos bailarinos que me hipnotizou. Pensei em como muda o estado do intérprete na presença do público e por que às vezes gosto mais de ver ensaios do que espetáculos. Ganhei um sorriso e uma piscada e corri pro banheiro mais próximo.

 

sanitise_2014SANITIS_UA

Sanitise

Uma mulher obcecada por limpeza em um banheiro cenográfico. Espelho, privada e banheira. Ela suspira de amor pelo branco impecável. Trilha sonora pop e efeitos sonoros. Um monstro de mofo ameaça de dentro da banheira, na forma de uma luz verde. Ela vai lá e limpa. O vídeo (projetado na privada, na cortina e no próprio corpo) nos conta que ela é apaixonada por um colega de trabalho, John, e sonha em passear com ele de mão dada. Por conta dessa paixão, pasa a cultuar um sanduiche mofado que um dia foi dele. Após uma tentativa frustrada de incorporar o fetiche da dominadora (com direito a chicote e salto altíssimo), entra num surto e faz uma dança erotizada segurando grandes crostas de mofo (aquele monstro de debaixo da banheira). Só que o momento foi televisionado e ela é humilhada em público e assediada por homens que babam sem parar (novamente, o vídeo). Passado o clímax dessa angústia, ela volta a limpar todo o banheiro e finalmente descansa em paz. A história surreal é contada apenas com dança, teatro físico e vídeo. A triangulação com a platéia é constante e a atriz, de olhar cortante e sorriso irônico, está sempre no registro da inadequação e do patético, o que gera uma empatia e um riso, ora solto ora constrangido. Dá o que pensar. A insanidade, o produto químico, o papel da mulher de tornar o espaço imaculado, a fantasia escondida num canto úmido e escuro, a exposição de viver a própria sujeira e expô-la ao mundo, a vergonha de ser o que se é, o refúgio da assepsia.

 

 

 

 

 


Leave a comment

À Table | Walking Tour – Edinburgh

a table

À Table at the FRINGE Festival.

Starts like a dual video installation. The video shows two girls interacting in different situations involving eating pasta, face to face, with a table between them. Domination, submission, violence, attachment. Pasta, rubbing, olive oil, eating, spitting, vomiting. Eating again. The video intrigues me. Great music, played live by three musicians. Synths, voice processors, strings, soundscapes. Then the perfomers appear for a live act. Dance, mimics, clownie gestures. They seem immature interpreters, overacting feelings and offering obvious illustrations of power based relationships. The dramaturgy becomes unclear and too sentimental. Better if it had ended with the video.

 

edinburgh

Festivals Walking tour

A great experience of getting familiar with the old town, the festivals’ venues and the Fringe Society hub. All filled with stories, anecdotes and tips from Mark Fisher, journalist and author of The Edinburgh Fringe Survival Guide. Caught twice by an unexpected cold rain after carrying my coat in the hot sun.