natalia mallo

Exibhit B

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Chocante, arrepiante, controverso, de chorar, de pensar, de não saber o que dizer. Uma instalação feita de pessoas reais, faz referência ao fenômeno grotesco do zoológico humano, em que africanos era exibidos como animais. Todo o trabalho fala sobre esquemas de subjugação, objetificação, maltrato e assassinato, por parte das grandes potências colonizadoras européias. E a exibição acontece no monumental corredor da biblioteca da universidade, um berço da inteligência européia, com enormes livros grossos do chão até o teto, e fileiras de bustos de grandes pensadores e cientistas, de mármore branco reluzente.

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Em um dos cubículos, uma mulher nua é exposta num pódio giratório e nos encara. Pelo seu biotipo (coxas grossas, ventre largo), mulheres como ela eram exibidas no zoo humano como sendo uma espécie de macaco. Outro homem fica sentado dentro de uma gaiola e nos encara. Lemos que foi declarado negro, assim como o pai, mas a mãe foi declarada branca. A familia foi separada, perdeu o direito de conviver, usar os mesmos lugares públicos e dividir a mesma casa.

Brett Bailey human zoo show Exhibit B

Em um assento de avião, um homem amordaçado nos encara. Lemos uma lista de africanos que morreram em aviões durante sua deportação, quase todos por asfixia. O primeiro da lista é de 2014. Em uma cadeira, uma mulher madura segura uma caveira e nos encara. Lemos que mulheres eram obrigadas a lixar com cacos de vidro, ferver e polir as caveiras dos seus companheiros assassinados. Estas caveiras depois eram exportadas para pesquisas científicas na europa, pesquisas como a que sustentou o terceiro Reich.

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Arrepiados, muitos de nós chorando, constrangidos seguimos até o final da sala, onde cabeças de quatro homens decapitados são exibidas em pódios de mármore. As cabeças cantam a quatro vozes a música mais linda e delicada que existe.

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Saindo da área da exposição, somos levados a uma sala onde lemos os depoimentos dos performers da instalação. Cada um fala de sua experiência com o racismo na europa, de seus ancestrais, dos motivos para estar ali. Em seguida somos conivdados a deixar um depoimento por escrito. Pilhas de longos textos do público ficam à disposição para serem lidos. Eu só conseguia suspirar, olhar o chão, fiquei coberta de vergonha e tristeza. E ao mesmo tempo tocada pela beleza das pessoas, da cenografia e do lugar em sí. Muito perturbador. A única coisa que consegui escrever foi a frase “Somos seres humanos?”.

 

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Author: Natalia Mallo

Artist, curator and entrepreneur.

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