natalia mallo


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Gisele & Natalia workshop – Indepen-Dance

During the intense one week of rehearsals for the show MayBe (a Brazil-UK co-creation with dancers Marc Brew and Gisele Calazans), we had the chance of offering a workshop for the project Indepen-Dance (thanks Karen Anderson for this unique opportunity!).

Gisele offered the material of her work on primal-developmental movement (a research based on her observation of the movement patterns of babies). I offered my approach on the relationship between music and dance. (I was also translator of the encounter).

It was an enormous pleasure to work with such open, available and joyful dancers.

 

 


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Scottish-Brazilian Collective Day 1

So today we started (me, drummer Mariá Portugal and pianist Marcel Barreto) a collaboration with the wonderful Scottish trio Aonach Mor, from Glasgow.

We chose to work on 2 really iconic composers from Scotland and Brazil: Robert Burns and Luiz Gonzaga. We did a new arrangement that blends “Ae fond kiss” with “Asa branca”. And it was so amazing to see that the melodies go together really well, and that both songs share this nostalgic feeling that turns sadness into something beautiful.

Burns talks about a love that ends with a kind kiss, and Gonzaga, hypnotized by the bonfires of St John in northern Brazil, wonders why is there so much sadness in the world. The answer could be: just so that we can make music out of it 🙂

Here’s a little of what happened today. It was a delight.

This is a part of a series of co-creations between Brazil and the UK, supported by the British Council, Creative Scotland and Live Music Now Scotland.


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A fala dos ventiladores

Conversa/performance com Yann Seznek. Artista sonoro, pesquisador, músico, criou especialmente para o Edinburgh Arts Festival a instalação “Currents”. Conversando com ele soube que se interessa em por para fora o que está escondido dentro dos nossos computadores (as ventoinhas que os impedem de explodir). Com as ventoinhas montadas num painel de madeira plugado em microfones de contato e utilizando um controlador midi, ele vai gerando uma mini orquestra percussiva. Sons que vão tomando velocidade e ficando mais agudos ou mais graves, pulsos e subgraves nos lembram animais, carros, vento. Me lembra até o ranger vagaroso de um velho ventilador de teto da infância em Buenos Aires. Tudo feito à mão, o artista se considera um artesão. Só lamenta depender do computador como “organizador do fluxo de impulsos”, e o deixa sempre na abertura mínima para funcionar. A instalação acontece numa cabine de polícia.

 

 


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Exibhit B

Chocante, arrepiante, controverso, de chorar, de pensar, de não saber o que dizer. Uma instalação feita de pessoas reais, faz referência ao fenômeno grotesco do zoológico humano, em que africanos era exibidos como animais. Todo o trabalho fala sobre esquemas de subjugação, objetificação, maltrato e assassinato, por parte das grandes potências colonizadoras européias. E a exibição acontece no monumental corredor da biblioteca da universidade, um berço da inteligência européia, com enormes livros grossos do chão até o teto, e fileiras de bustos de grandes pensadores e cientistas, de mármore branco reluzente.

exb

Em um dos cubículos, uma mulher nua é exposta num pódio giratório e nos encara. Pelo seu biotipo (coxas grossas, ventre largo), mulheres como ela eram exibidas no zoo humano como sendo uma espécie de macaco. Outro homem fica sentado dentro de uma gaiola e nos encara. Lemos que foi declarado negro, assim como o pai, mas a mãe foi declarada branca. A familia foi separada, perdeu o direito de conviver, usar os mesmos lugares públicos e dividir a mesma casa.

Brett Bailey human zoo show Exhibit B

Em um assento de avião, um homem amordaçado nos encara. Lemos uma lista de africanos que morreram em aviões durante sua deportação, quase todos por asfixia. O primeiro da lista é de 2014. Em uma cadeira, uma mulher madura segura uma caveira e nos encara. Lemos que mulheres eram obrigadas a lixar com cacos de vidro, ferver e polir as caveiras dos seus companheiros assassinados. Estas caveiras depois eram exportadas para pesquisas científicas na europa, pesquisas como a que sustentou o terceiro Reich.

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Arrepiados, muitos de nós chorando, constrangidos seguimos até o final da sala, onde cabeças de quatro homens decapitados são exibidas em pódios de mármore. As cabeças cantam a quatro vozes a música mais linda e delicada que existe.

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Saindo da área da exposição, somos levados a uma sala onde lemos os depoimentos dos performers da instalação. Cada um fala de sua experiência com o racismo na europa, de seus ancestrais, dos motivos para estar ali. Em seguida somos conivdados a deixar um depoimento por escrito. Pilhas de longos textos do público ficam à disposição para serem lidos. Eu só conseguia suspirar, olhar o chão, fiquei coberta de vergonha e tristeza. E ao mesmo tempo tocada pela beleza das pessoas, da cenografia e do lugar em sí. Muito perturbador. A única coisa que consegui escrever foi a frase “Somos seres humanos?”.

 


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Três razões para continuar

O evangelho segundo Jesus, rainha do céu

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Chego na linda capela, entrego meu ingresso e o moço me diz: agora você pode esperar lá fora, conversando com um estranho? O pedido foi feito de um jeito amoroso. Fiquei lá fora, tímida, olhando as pessoas, todas conversando umas com as outras. Então um homem grisalho veio e me disse: vamos conversar? Essa foi a primeira situação criada for Jo Clifford, dramaturga e atriz do espetáculo que veria em seguida. Na entrada da nave da igreja recebemos uma taça de vinho e uma vela. Alí esperamos, quando se ouve a voz de um velho reclamando do desconforto das cadeiras. É ela, que se levanta, vem à frente e inicia uma espécie de liturgia. Citando trechos bíblicos, dizendo amén, nos convidando a entrar na escuridão ou acender a chama de nossa humanidade, criando uma situação de grande carga espiritual, Jo Clifford nos fala de sua mudança de sexo, dos mal entendidos quanto a sua mensagem (ela é Jesus), nos conta a história do mundo. Amor, morte, o preço de estar vivo. Ela nunca é vítima, seu humor é cortante e oportuno, desequilibra nossa tendência a santificá-la. Sua honestidade é tocante. De mãos dadas e olhos fechados, no escuro, terminamos a missa em silêncio, ainda sentindo na boca o gosto de um pão delicioso, feito por ela, ao longo de sete dias de meditação.

 

Chalk About

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Um espetáculo de dança para crianças e jovens e adultos. Simples, com bastante conversa, interatividade e coreografias precisas em corpos leves e porosos. Trata da perda, sobre ser o que se é, do imaginário ilimitado da infância, da autoimagem, dos medos. Todo pincelado de melancolia, vai nos conduzindo e conquistando de mansinho, com humor e delicadeza. Um espetáculo para crianças com longos silêncios, todo em preto e branco, sem risadaria, sem grito, sem estridência. Uma joia e um exemplo.

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Sister

Duas irmãs, e é tudo verdade. A mais velha é uma profissional do sexo, trabalha como escort em Berlin e é atriz de filme pornô. A mais jovem é lésbica, feminista e ativista. Dividem o palco nuas, fazem pole dancing, erotizam, exibem genitálias, feridas, celullite, pelos. Contam sua história, explicam quando, como e por que faziam sexo oral em homens na adolescência, brincam, riem, cantam,  escrevem para a familia, nos mostram vídeos de sua infância juntas. Os vídeos são de uma ternura comovente. Já está tudo lá. Uma mistura de documentário, peça de teatro e ritual de cura. Nenhum sentimentalismo desnecessário, Uma calma e uma alegria. É tudo tão aberto e exposto que não choca, aproxima. Emocionante o amor fraternal, a cumplicidade em cena e a maneira de tornar um ambiente que poderia ser visto como sórdido em algo acolhedor onde qualquer um é bem vindo, nada é feio alí, é tudo verdade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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Music Permitted!

Feral

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Pode um soco no estômago ser lúdico e delicado? Pode. Cinco intérpretes montam uma cidade cenográfica de papel em miniatura, e dentro desta cidade, feita de casinhas, predinhos, carros e pessoas, vão filmando as cenas da peça, que vemos projetada num telão acima. Todos os bonecos e ambientes feitos a mão, monocromáticos, muito pequenos. Assistimos ao próprio set em que tudo é montado, de um primor cenográfico impecável. Uma sala de arquitetos, um ateliê de desenho, um espaço de experimentação científica. Neste ambiente, que vai se construindo aos poucos, uma pequena cidade portuária, sua comunidade, seu dia a dia. Um dia chega um empreendimento imobiliário ganancioso e altera o ecossistema. A cidade cai em decadência, lá se vai a vida mansa das pessoas. Tudo entra em decadência, o crime e a violência tomam conta. A esperança acaba. Fim de papo, sem esperança ou redenção. Um músico e artista de foley ao vivo (criando efeitos sonoros a partir de objetos reais, como nos programas de radio de antigamente), um desenho de som perfeito. E a trilha sonora, emotiva na medida, feita de beats, synths e algumas referências melódicas à música celta. Sublime e emocionante.

 

O duelo

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Fui ver o Duelo, espetáculo brasileiro cheio de pessoas conhecidas e amigos, pela curiosidade de assistir fora do contexto, e para prestigiá-los. Me interessei em ver como a platéia escocesa receberia o trabalho. No caminho para o teatro, atrasada como eu, uma garota irlandesa desesperada me pede indicações para chegar lá. Juntas vamos correndo até o teatro, e no caminho me conta que tem um grupo de teatro em Dublin e soube por amigos que o trabalho da Cia Mundana tinha tudo a ver com o que o grupo dela, que está começando, quer desenvolver. A peça dura mais de tres horas, e só três pessoas deixaram a imeeeeeensa sala durante o intervalo. Linda montagem, maravilhosa tradução, algumas atuações de tirar o fôlego. Música maravilhosa!

 

MISSING

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Soco no estômago II. Um espetáculo de dança inspirado nos cartazes com pessoas desaparecidas. Esses que ficam nos postes das cidades e vão desaparecendo com a chuva e o tempo. Bailarinos maravilhosos, coreografia precisa e tocante. Música muito emotiva. Demais da conta. Uma camada redundante de tristeza sobre um assunto já tão triste. Não deixa espaço para a sensação, é só emoção: tristeza e desesperança. Com bastante palavra falada e informações sobre situações de desaparecimento de pessoas, os in†érpretes vão mudando cadeiras de lugar, evidenciando o vazio da ausência das pessoas, virando do avesso, espalhando em desespero, tentando organizar a angústia. Solos e duos muito bonitos, ensaiadíssimos. Um homem jovem e esguio, uma mulher mais madura. Ambos com um vocabulário de movimento rico e muitos recursos de comunicação através do gesto e do olhar. Todo ano, 700 pessoas desaparecem na Irlanda. Metade é localizada, metade dessa metade parte por decisão própria. A outra metade devido a sequestro, assassinato, perda de memória ou causas desconhecidas. 

 

Music permitted!

A abordagem musical dos espetáculos me da o que pensar. A música está permitida por aqui. Em São Paulo, tenho visto muitos espetáculos, quase todos com trilha sonora ultra contemporânea, feita de ruidos, subgraves, theremins, ambiencias. Jamais melodia, harmonia de forma alguma, ritmo, talvez. Nada contra, gosto de todo tipo de trilhas sonoras e crio algumas com essas características. Mas por que fazem tantos da mesma maneira? (E me refiro principalmente à dança contemporânea). A que grupo de consenso se quer pertencer abolindo a musicalidade? Ao abstrato, à supressão da emoção? E, por outro lado, qual o limite em que a música ajuda a sustentar uma obra ou mastiga o sentido da mesma, oferecendo uma emoção pronta, sem tridimensionalidade? Para se pensar.